De onde surgiu a Ecentia: a psicóloga que eu amo passou anos dentro de uma plataforma e eu construí a saída dela

Eu não sou psicólogo. Sou casado com uma. Vi de perto o que aconteceu com a agenda dela quando ela segurou o próprio valor dentro de uma plataforma, construí a saída dela e, em menos de dois anos, ela não precisava mais de nenhuma.

Cartão tipográfico com a pergunta Vale a pena trabalhar em plataforma de psicologia? em letras grandes no centro, sobre fundo off-white, com a marca Ecentia acima da frase e uma faixa verde na borda inferior. Sem foto, sem rosto e sem interface.

Minha esposa é psicóloga. Por anos, quem decidia quantos pacientes ela atenderia no mês não era ela. Era uma plataforma.

Eu vi isso de dentro de casa. Vi ela segurar o próprio valor. Vi a plataforma mandar menos gente por causa disso. Vi o dia em que ela entendeu que aquilo não ia melhorar sozinho. Depois passei um bom tempo de noites e fins de semana construindo a saída dela. Hoje os pacientes chegam pelo site dela, no nome dela. Essa saída virou a Ecentia.

Agosto de 2014

Em agosto de 2014 eu e a Isabele demos match no Tinder.

Ela é psicóloga clínica e terapeuta sexual, atende online. Eu sou analista de sistemas há 25 anos e sou um dos fundadores da Ecentia. Nos últimos 12 anos a gente atravessou junto muito trabalho e muita dificuldade. Disso saiu um jeito de funcionar: o problema que aparece na vida de um vira problema dos dois na mesma noite.

Digo isso logo no começo para você não precisar adivinhar depois. Quem escreve aqui não é uma empresa opinando sobre o mercado da psicologia. É o marido de uma psicóloga. Eu tenho interesse nesta história, e é melhor declarar isso do que fingir neutralidade.

A pandemia mudou o que era possível dos dois lados

Eu morava em São Paulo e, de um dia para o outro, ganhei de volta duas horas de vida por dia. Era o tempo que o trânsito levava para me pôr no escritório de manhã e me devolver em casa à noite. Com o home office, essas duas horas passaram a ser minhas.

Usei esse tempo em duas coisas: estudar Google Ads e escrever código à noite para ajudar a Isabele.

Do outro lado da mesma mudança estava o paciente. Ele descobriu que a sessão por vídeo cabia na rotina dele. Descobriu que não precisa se arrumar, sair do trabalho no meio do expediente, deixar o filho com alguém ou deixar o cachorro sozinho em casa. Ele abre o computador na hora marcada e conversa com a psicóloga dele.

Isso mexeu no mapa da profissão. A psicóloga que mora numa cidade pequena passou a alcançar gente de qualquer canto do Brasil. Essa psicóloga mora longe dos grandes centros e tem um custo de vida que os grandes centros não têm. O consultório deixou de ser um endereço na rua e virou um link. De quem é esse link passou a ser a pergunta mais cara da carreira.

Linha do tempo com os quatro marcos da história contada no artigo, de agosto de 2014 até hoje, com um ponto âmbar no último marco.

A dependência que eu via de perto

Até a pandemia, os pacientes da Isabele vinham de plataforma. A Isabele não escolheu isso por comodidade. É assim que quase toda psicóloga começa: você se forma, precisa de paciente, e o caminho mais curto é entrar no catálogo de quem já tem público.

O problema apareceu devagar, do jeito que os problemas caros aparecem. Boa parte do que chegava até ela vinha de contrato de empresa, o tal "benefício" de psicologia que o funcionário recebe do trabalho. E era justamente nesses atendimentos que sobrava menos para ela.

A Isabele fez a única coisa que dava para fazer: definiu um valor mínimo para trabalhar. A partir dali a agenda dela foi ficando mais vazia. O que ainda chegava, ela recusava. A oferta pagava menos do que um almoço.

De dentro de casa, depender de plataforma não tem cara de tragédia. Tem cara de conversa de domingo à noite: a semana que vem está mais vazia do que a que passou.

A Isabele continuava a mesma profissional, com a mesma formação e a mesma sala. O país continuava cheio de gente precisando de terapia. O que mudou foi o critério de quem distribuía os pacientes.

E aqui está a parte que eu queria que você levasse, se hoje você está dentro de uma plataforma. A Isabele não tinha como reagir. Não dava para melhorar o anúncio, porque o anúncio não era dela. Não dava para falar direto com quem estava procurando terapia, porque a procura acontecia dentro do site de outra pessoa. O único botão na mão dela era aceitar ou recusar o valor oferecido. Era esse o tamanho da autonomia dela.

A frase no grupo de WhatsApp

Um dia a Isabele me mostrou o celular. Num grupo de WhatsApp de psicólogos, quem comanda uma dessas plataformas tinha escrito que ali não havia foco em "psicólogos high ticket".

High ticket, traduzindo o jargão, é o profissional que cobra caro pelo próprio trabalho. Dito em português claro: quem cobra o próprio valor não era bem-vinda ali.

Eu não fiquei com raiva da empresa. Aquilo não é maldade, é regra de negócio dita em voz alta. Ela vende volume para contrato corporativo, resolve um problema real de muita gente e ganha o dinheiro dela de forma honesta. Quem cobra caro não cabe nessa conta, e ela teve a decência de avisar.

Naquele dia eu decidi uma coisa que não mudou até hoje: jamais deixo minha esposa passar por isso de novo. Decidir sobre ela foi fácil, porque eu sabia construir. O difícil é o que aquela frase faz com quem lê.

Aquela frase foi a coisa mais honesta que eu vi uma plataforma dizer. Ela avisou, na cara, que não queria quem cobra o próprio valor.

Qualidade tem preço, e ela sabe disso melhor do que ninguém: por isso escolheu não pagar.

A pergunta que sobrou não é sobre ela. É sobre você continuar lá dentro depois de ler isso.

Cartão tipográfico com a frase completa em destaque, Qualidade tem preço, e a plataforma sabe disso melhor do que ninguém: por isso escolheu não pagar, e ao pé a ressalva de que não é maldade da plataforma, é regra de negócio dita em voz alta. Sem nome de empresa e sem nome de pessoa.

O que eu construí, e o que sobrou no nome dela

Foi aí que eu comecei a fazer para a Isabele exatamente o que a plataforma fazia por ela. A diferença é que tudo nasceu no nome dela.

Campanha de anúncio feita direito, rodando dentro de uma conta que era dela. Agenda que confirma sozinha, para o paciente escolher o horário sem depender de troca de mensagem. Automações para as tarefas administrativas que comiam as noites dela. E um site próprio, rápido, com o nome dela no endereço, escrito de um jeito que o Google entende e mostra para quem procura. O passo a passo de cada uma dessas peças está no artigo sobre como conseguir pacientes particulares.

Não foi rápido. Foram fins de semana combinando o que dava para fazer e noites fazendo. Em menos de dois anos a Isabele saiu completamente das plataformas, e desde então capta os próprios pacientes.

Isso foi o que aconteceu com uma psicóloga, num período específico, com um analista de sistemas trabalhando de graça ao lado dela. Não é previsão para você, e eu não prometo o mesmo percurso a ninguém. O que dá para levar desta história não é o prazo. É o critério.

Então vale a pena trabalhar em plataforma de psicologia?

Vale, e eu não vou fingir que não vale. A plataforma resolve um problema real: ela tem público e você ainda não tem. É uma vitrine pronta, e custa menos do que montar a sua. Serve para quem está começando, para quem mudou de cidade, para quem quer testar um horário novo. Alugar vitrine é decisão de negócio legítima, e eu não conheço muita gente que tenha começado de outro jeito.

Deixa de valer no dia em que a plataforma é a única porta de entrada da sua agenda. Aí ela deixa de ser uma vitrine e vira o seu setor comercial inteiro, na mão de outra pessoa. Essa pessoa pode mudar a regra sem te consultar, como mudou com a Isabele.

O teste que resolve a pergunta é um só, e você aplica hoje: o que continua no seu nome no dia em que você para de pagar? Responda linha por linha.

O site e o endereço dele na internet. A conta de anúncios, com o histórico de quem fechou com você e por qual busca. A conta bancária onde cai o pagamento do paciente. A agenda e o prontuário. E o paciente que começou o processo mês passado. Ele precisa saber onde te encontrar se a vitrine sair do ar.

O que responde "continua comigo", você está construindo. O que responde "fica com eles", você está alugando. Alugar não é errado, e quase todo mundo aluga alguma coisa no começo. O erro é passar anos pagando aluguel achando que está construindo. Foi para virar esse jogo a favor de quem atende que a gente montou a Ecentia.

Folha de exercício com sete itens do consultório, do site ao prontuário, e duas caixas em branco por linha, rotuladas continua comigo e fica com eles, para o leitor marcar de que lado está cada um no dia em que ele para de pagar.

De onde vem a Ecentia

Em São Paulo eu ganhei um grande amigo, o Willian, que hoje é meu sócio. A gente sempre conversou sobre empreender e nunca conseguiu tirar nada de pé. Faltava tempo: o trabalho tomava o dia e o trânsito da cidade tomava o resto.

Quando o home office se encontrou com os agentes de inteligência artificial, deu para começar. A gente combinava no fim de semana o que faria nas noites da semana seguinte. No começo não construímos nada da empresa: estudamos IA, criamos agentes, compramos ferramentas, testamos. A Ecentia foi construída e destruída um monte de vezes antes de existir de verdade.

Hoje o desenvolvimento daqui roda com agentes autônomos fazendo a maior parte do trabalho. É um jeito de trabalhar que quase ninguém usa ainda, e é por isso que dois sócios conseguem entregar o que normalmente exige um time.

A pergunta que mais me fazem é direta, e eu gosto dela: por que você criaria concorrência para a sua esposa?

Porque a fila não é do tamanho de uma pessoa. O Brasil tem 214,2 milhões de habitantes, segundo a Agência IBGE Notícias. A estimativa foi divulgada em 28 de agosto de 2026, com data de referência em 1º de julho do mesmo ano. A Isabele não vai atender essa fila. Ninguém vai.

E a concorrência já existe, em quantidade: são mais de 600 mil psicólogas e psicólogos registrados no país, segundo o painel de transparência do Conselho Federal de Psicologia. O número de colegas nunca foi o problema dela. O que decide quem chega até você é outra coisa: ser encontrada por quem está procurando e conseguir explicar o próprio trabalho sem intermediário.

Então a Ecentia é a saída da Isabele, transformada em produto para você. No plano gratuito, o seu site entra no ar com agenda que confirma sozinha, prontuário básico e notas. O pagamento do paciente cai direto na sua conta bancária. Esse plano não exige conta de anúncio nenhuma, e a Ecentia não fica com nada da sua sessão.

O plano profissional entra quando você quer endereço próprio e anúncio. O domínio é comprado por você, no seu nome, e não pela gente. O anúncio roda dentro da sua conta do Google Ads. O texto e o teto de gasto por dia são aprovados por você. E o anúncio só entra no ar depois que o site está publicado e o domínio verificado. Se um dia você sair, leva o domínio, a conta bancária que recebe o pagamento, a agenda, as notas e o histórico do que funcionou no anúncio. É a mesma lista da seção anterior, toda do lado de cá. Cada uma dessas peças está na página de recursos.

A gente não quer atender todo mundo. A ideia é construir para um grupo de psicólogas e psicólogos que queira mesmo ser dono do próprio trabalho. E cuidar bem desse grupo, em vez de crescer por crescer.

Você está dentro de uma plataforma hoje e ficou com a pergunta do que continua no seu nome? Marque uma conversa de 30 minutos por vídeo com um dos fundadores. É de graça, e não é uma só: se precisar de outra depois, marque de novo. Sem cartão e sem proposta: você sai com um plano de ação, com ou sem a gente.

Eu construí tudo isso para uma psicóloga só. Ela se chama Isabele, é minha esposa, e hoje não precisa de plataforma nenhuma. O resto é consequência.

Ricardo e Isabele lado a lado ao ar livre no fim da tarde, os dois sorrindo para a câmera, com céu nublado, palmeiras e um prédio de vidro ao fundo.

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